Quatro anos depois da condenação da cimenteira Cabocem a pagar mais de cinco mil contos de salários e indemnização aos ex-trabalhadores por despedimento ilegal, o processo continua “parado” para a “tristeza” dos ex-operários.

Em Outubro de 2013, o Tribunal Judicial da Comarca do Porto Novo condenou a fábrica de cimento pozolânico a pagar aos operários cinco meses de salários, que os devia até á data do seu encerramento, e ainda uma indemnização pelos “vários anos de serviços prestados” à cimenteira.

Quatro anos depois, o processo “não ata nem desata”, segundo alguns desses operários que começam “a perder esperança” em que a Cabocem venha a cumprir a decisão judicial.


O Sindicato Livre dos Trabalhadores de Santo Antão (SLTSA), que representa os ex-operários dessa fábrica, admite que o processo não tem andado da forma como se desejava, recordando, porém, que tem havido muitas diligências no sentido de levar essa unidade industrial a cumprir a decisão judicial.

Na sequência de uma acção intentada por este sindicato, o Tribunal Judicial da Comarca do Porto Novo mandou, em 2015, penhorar alguns bens dessa fábrica para salvaguardar os salários e indemnizações dos ex-trabalhadores, mas o processo não avançou porque os bens não têm o valor comercial.

Tratando-se de bens obsoletos, sem valor comercial, está sendo difícil vendê-los para pagar os salários e inseminações aos ex-operários da Cabocem, de acordo com a decisão judicial, explicou o SLTSA.

Entre os bens arrestados, estão três camiões, dois geradores, um caterpillar retro-escavadora e um torno mecânico que, segundo apurou a Inforpress, já são antigos.



Em 2005, foi instalada, na zona de Fundão, a cinco quilómetros da cidade do Porto Novo, a indústria cimenteira Cabocem, propriedade de um grupo de investidores italianos, que viria a ser encerrada oito anos depois, por alegadas dificuldades financeiras.

O problema de mercado foi, de resto, a principal razão que terá levado ao encerramento da cimenteira, que representou um investimento na ordem dos 500 mil contos.

Foram despedidos os cerca de duas dezenas de trabalhadores que reclamam o pagamento de cinco meses de salários em atraso e indemnizações pelo “despedimento ilegal”, no valor que excede os cinco mil contos.

A cimenteira encontra-se, há quatro anos, encerrada para a “preocupação” da Câmara Municipal do Porto Novo que garante estar a trabalhar com o Governo na procura de um parceiro estratégico para o relançamento desta industria.

As pozolanas de Santo Antão, cujas jazidas são estimadas em cerca de seis milhões de toneladas, são de boa qualidade, segundo estudos já realizados sobre esse recurso natural, utilizado na construção de infra-estruturas portuárias e de construções hidráulicas.

Os responsáveis municipais acreditam que, pela qualidade das pozolanas, é possível viabilizar essa cimenteira, estando, nesta altura, à procura, conjuntamente com o Governo de um parceiro estratégico que permita relançar a cimenteira.

Inforpress

Comentar:

0 comments: