Os comerciantes do concelho de Santa Cruz, interior da ilha de Santiago, manifestaram hoje contra o aumento de impostos para 4 por cento (%) que vem no decreto-lei denominada REMPE (Regime Especial das Micro e Pequenas Empresas).

Os comerciantes, que protestaram hoje à frente das Repartições de Finanças no concelho, dizem que esta lei os apanhou de surpresa, afirmando que não vão conseguir pagar os tais 4% nas receitas, isto porque, não têm tido lucro.

Segundo contou à imprensa o comerciante António Fernandes “Lizito”, pretendem com esta “marcha passiva” fazer que as suas vozes sejam ouvidas face a este aumento repentino que receberam através de uma carta das Repartições de Finanças.



No seu caso específico, disse que pagava 120 contos anuais, mas actualmente com esta subida de impostos vai pagar mais de 600 contos anuais, indicando que este valor não lucrou.

A lei REMPE no seu entender, tem suas vantagens, mas no entanto traz muitas desvantagens, tendo em conta que é uma lei que vai trazer desemprego, ajuntando que mesmo que queira dar emprego não vai conseguir, porque o imposto está “muito caro” e encargo ainda mais.

“Esta lei vai fechar as nossas portas, porque para conseguirmos pagar os 4% temos que aumentar os preços dos produtos, mas este aumento tem que acontecer em todas as lojas, grandes supermercados, lojas chinesas e não apenas eu”, desabafou.

Pediu a quem de direito, nomeadamente, o Presidente da República, deputados nacionais, reverem ou mesmo revogarem esta lei, afirmando que com a sua implementação o Governo demonstrou que “não conhece o funcionamento do comércio no país”.

Lizito considerou de “absurdo” o facto de receber uma notificação a dizer que vai ter que pagar um valor de mais 1000 contos referente a 2015 e 2016 ano que já tinha liquidado.



Por seu turno o outro comerciante José Constantino Furtado disse que tem pagado há muitos anos os seus impostos em dia e agora com esta nova lei, vai ser “difícil” paga-las, lembrando que antes pagavam de 6 em 6 meses, e agora é de 3 em 3 meses, e com pouco lucro fica “impossível”.

Pelo facto do município ser o “mais pobre” do país, assegurou que não vai conseguir pagar, avançando que tem informação que os comerciantes de Santa Cruz são os que pagam os impostos mais caros.

Com o aumento de imposto, este comerciante que empregava entre três a quatro pessoas já despediu os funcionários e actualmente encontra-se sem nenhum.

“Recordo o actual primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, dizendo na campanha eleitoral que os impostos iam baixar, mas invés de baixar, aumentaram”, lamentou.

Os comerciantes que se dizem desesperados e que afirmam que não vão conseguir pagar os 4% de impostos, prometem outras formas de luta caso as suas reclamações não forem atendidas.

Por Inforpress

Comentar:

0 comments: