As famílias cabo-verdianas mais do que duplicaram, entre 2002 e 2015, as despesas com bebidas alcoólicas, que representam 4% do orçamento familiar, segundo dados oficiais divulgados esta sexta-feira no âmbito da campanha “Menos Álcool, Mais Vida”.

Em 2002, as despesas com bebidas alcoólicas representavam 1,8% do orçamento das famílias cabo-verdianas, tendo, em 2015, esse valor subido para os 4%, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Nos agregados familiares com despesas de consumo de álcool, cada pessoa gastou em média, por ano, mais de 72 euros em bebidas alcoólicas, sendo a ilha de São Vicente a que apresenta maior gasto médio por pessoa, seguindo-se Santo Antão e Santiago Norte.



Ainda de acordo com os mesmos dados, cada cabo-verdiano consumiu em média 20,2 litros de álcool, sendo 6,1 de aguardente (grogue), 5,1 de vinho e 3,5 de cerveja.

São Vicente apresenta a média mais elevada de consumo (19,4 litros por pessoa), seguido de Santiago Norte (18,3) e Santo Antão (17,9).

Em quatro anos (2013 a 2016), Cabo Verde importou bebidas alcoólicas num valor próximo dos cinco milhões de euros.

Os dados apontam ainda para existência de 63 mortes por alcoolismo em 2015, com os homens do grupo etário dos 50-59 anos a registarem a maior taxa de mortalidade (28,6%).

Os dados foram divulgados hoje pelo INE no âmbito da campanha “Menos Álcool, Mais Vida” no concelho do Tarrafal, na zona norte da ilha de Santiago, numa reunião plenária cujo tema era a campanha contra o uso abusivo do álcool.

A campanha, que conta com o alto patrocínio do Presidente da República e o apoio da Organização Mundial de Saúde (OMS), mobiliza mais de 60 entidades, entre departamentos estatais e do Governo, autarquias, Organizações Não-Governamentais, associações de voluntários, universidades, escolas, entidades desportivas, sindicatos e congregações religiosas.



Em curso desde Julho de 2016, a campanha tem realizado ações descentralizadas em várias ilhas, tendo sido escolhidas a ilha de São Vicente e a região sanitária de Santiago Norte como espaços-piloto para as ações descentralizadas.

O objetivo é contribuir para a diminuição do uso abusivo de bebidas alcoólicas e da dependência do álcool, que representa uma das principais causas de mortes prematuras no país e é considerado um problema social e de saúde pública, mas que beneficia de tolerância social e cultural.

Durante o encontro, o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca sublinhou o papel das câmaras municipais na fiscalização da produção doméstica de bebidas alcoólicas e do consumo.

“É possível introduzir, ao nível dos municípios, um conjunto de práticas e hábitos que convidem a alguma moderação no consumo das bebidas alcoólicas. Este facto evidencia o indispensável papel das câmaras no combate contra o abuso do consumo do álcool e a sua importância no sucesso da Campanha “Menos Álcool, Mais Vida””, disse Jorge Carlos Fonseca.

Nesse sentido, o chefe de Estado renovou o “apelo firme e perseverante a um envolvimento sem trégua das câmaras municipais nesta campanha”.

Por Inforpress/Lusa

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