O chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, disse hoje que os erros nos manuais escolares antigos não justificam os detetados nos livros experimentais introduzidos este ano e apelou para um discurso de rigor e responsabilização.

"Uns erros não justificam os outros", disse Jorge Carlos Fonseca, apontando a necessidade de combater uma "espécie de cultura" que justifica as dificuldades do presente com o passado.

"Durante muitos anos justificávamos as nossas dificuldades com a herança colonial e a escravatura, depois com o regime de partido único, depois com heranças do governo A e do governo B. Evidentemente que há sempre legados e heranças, bons ou maus, mas cada um tem que trabalhar com aquilo que encontra e procurar melhorar e aperfeiçoar", disse o chefe de Estado.



Jorge Carlos Fonseca falava hoje aos jornalistas numa escola, na cidade da Praia, onde foi dar uma aula sobre os 25 anos da Constituição da República no âmbito do Dia Mundial do Professor, que hoje se assinala.

As declarações do chefe de Estado surgem no contexto da polémica em torno dos erros detetados nos novos manuais experimentais de matemática para o 1º e 2º anos do primeiro ciclo, que estão a indignar pais, professores e especialistas em educação.

Os manuais, da responsabilidade do Governo, foram editados por uma empresa da Suécia e apesar dos vários erros detetados, o ministério da Educação decidiu que vão continuar a ser usados pelos alunos com correções através de um sistema de erratas e autocolantes.

Na sequência da deteção dos erros, o ministério da Educação informou ter encontrado centenas de erros e sugestões de correção também os manuais editados durante o anterior governo e ainda em vigor, o que está a ser interpretado como uma tentativa de desresponsabilização.



"Tenho acompanhado este debate sobre os manuais escolares. Todos reconhecem, mesmo os responsáveis da educação, que há falhas e erros que assumem gravidade. Portanto, tem que haver soluções para corrigir", disse Jorge Carlos Fonseca.

"Deve haver sempre preocupação de rigor, de ver as coisas com antecedência, de prevenir. Entendo que, num ambiente de serenidade, sem grandes paixões devem ser procuradas soluções para os erros e para as falhas, mas tem que haver sempre um discurso de rigor e de responsabilização", acrescentou.

Para Jorge Carlos Fonseca, o desenvolvimento do país depende de uma educação qualificada, exigente e rigorosa.

"Cabo Verde, que tem uma grande ambição de ser um país desenvolvido num prazo não muito longo, só o pode ser com uma educação exigente, de qualidade, de excelência, com rigor, com sentido de responsabilidade. E isso é para todos, para os professores, para os alunos, para os dirigentes e para os políticos", disse.

"Temos que dar todos os dias sinais de caminharmos nesse sentido", reforçou.

O ano letivo 2017/2018 arrancou em Cabo Verde com um novo plano curricular experimental para o ensino básico com a introdução de novos manuais para os 1º, 2º,3º, 4º, 5º e 7º anos de escolaridade, cadernos de exercícios, manuais de professores e CD interativos.

O novo plano, a introduzir gradualmente, prevê um reforço da língua portuguesa, das ciências e da matemática, mas os manuais experimentais de matemática apresentam vários erros, que estão a ser denunciados pelos pais.

Entretanto, decorre uma petição pública pela retirada dos manuais, que reunia ao início da tarde de hoje mais de 1.800 assinaturas, e está agendada para sexta-feira uma manifestação de país e professores para pedir ao ministério que reconsidere a decisão de manter os manuais.

Lusa

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