À semelhança do resto do País, a situação do ano agrícola na ilha da Brava evoluiu “desfavoravelmente” em relação à queda de precipitação assinalada, de forma significativa em Agosto, evidenciada pela falta de chuva total desde Setembro.

Este quadro foi apresentado à Inforpress em entrevista com o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), que considera “assegurada” apenas a disponibilidade de pasto para animas na zona húmida, concretamente as mais altas como Nossa Senhora do Monte e Lomba Tantum.

Estêvão Fonseca admite, entretanto, que no extracto semi-árido e árido a situação seja negativa, com “muito má produção do pasto”, com a agravante de ser classificada de nula a colheita de alimentos para consumo humano como o milho ou mesmo feijão, um pouco por toda a ilha da Brava.



A fraca produtividade agrícola na ilha é lamentada pelos agricultores/camponeses e sobretudo, criadores de gado, por todo o município, que para além da falta de chuva, numa ilha tradicionalmente produtiva face à particularidade do seu clima, mas que este ano viu a situação piorar com a presença de pragas.

A este propósito, Estêvão Fonseca afirma que a delegação teve de lançar uma ofensiva no capítulo da campanha fitossanitária num ano marcado pela incursão da praga de lagarta de cartucho (a Brava é considerada das últimas ilhas a ser evadida por esta calamidade).

Considera que a sua equipa fez uma boa prospecção a nível do terreno e que o nível de ataque não foi severo, porquanto registado inicialmente nas culturas de regadio, esta praga foi “rapidamente controlada”.



Disse que a Delegação da Brava foi das poucas que no contexto desta praga fez o tratamento “única e exclusivamente” à base de um biopesticida, o “Turex”.

No capítulo da situação zoo-sanitária, considera que a situação epidemiológica na ilha retém um quadro reservado, com o argumento de que neste momento regista-se algum nível de ataques de ectoparasitas como carrapatos e piolhos, problemas que a ilha vem enfrentando desde 2012, “quando pouco ou nada se fez” para a sua resolução.

Nesta perpectiva, admite que em 2017 a ilha da Brava tenha registado uma percentagem significativa de caprinos e bovinos que, neste momento, estão a ser atacados por estes ectoparasitas, mas diz acreditar que situações consideradas complicadas estejam a ser solucionadas.

Assevera que a Delegacia já tem elaborado um plano estratégico de controlo de carrapatos, que, assegura, vai ser adaptado a nível nacional, já que vai ser aplicado a outras ilhas que apresentem o mesmo problema, através de recursos a drogas com potencial de eliminar os focos de carrapatos nos bovinos e, também nas pastagens.

Alega que a equipa já está no terreno há praticamente dois anos e que já procedeu à desinfestação de cerca de 15 hectares de terrenos nas localidades de Esparadinhas e Portete (região de Fajã d’Água), zona já declarada livre das carraças, porquanto o delegado considera já ter sido eliminado 99 por cento dos carrapatos nos animais e pastagens.

Esta campanha, especifica, vai continuar no resto de toda a ilha bravense, já que tem sido alistado como um desafio trabalhar com os criadores sobretudo das localidades com maiores potencialidades agro-pecuárias, no sentido de sensibilizá-los quanto à problemática destes parasitas e carrapatos e métodos de controlos.

Inforpress

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