Os EUA garantem que não procuram guerra com país dirigido por Kim Jong-un, mas se esta suceder o "regime da Coreia do Norte será totalmente destruído".
Foto: twitter.com/nikkihaley
A garantia foi deixada nesta quarta-feira à noite pela embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, que falava numa reunião do Conselho de Segurança da organização, reunião convocada para debater o mais recente disparo de um míssil balístico intercontinental pelo regime comunista da Coreia do Norte.

Haley declarou que os EUA "nunca procuraram a guerra com a Coreia do Norte, e ainda hoje não é isso que desejamos. Mas se tiver de suceder uma guerra, dever-se-á a atos de agressão como aqueles verificados ontem [o disparo do míssil balístico intercontinental]. E se suceder uma guerra, que não haja dúvidas, o regime da Coreia do Norte será totalmente destruído".


A Administração Trump tem afirmado repetidas vezes que todas as opções estão disponíveis para resolver os desafios colocados pelo desenvolvimento do programa nuclear e de mísseis balísticos do regime de Pyongyang, mas que a prioridade vai ainda hoje para a via diplomática. Mas mantém, também, que uma opção militar não está excluída.
Antes da reunião, a Casa Branca noticiou que Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, tinham falado ao telefone e que o líder americano pedira ao seu homólogo para cortar o abastecimento de combustíveis à Coreia do Norte. O que os EUA consideram ser uma forma de exercer forte pressão sobre o regime de Kim Jong-un, que tem na China o seu principal parceiro económico, além de maior aliado político-diplomático em conjunto com a Rússia.

Todavia, a estratégia de recorrer a Pequim para pressionar a Coreia do Norte, uma opção já testada por anteriores presidentes americanos, não tem produzido os resultados esperados. Para alguns analistas, isto deve-se ao facto de Pequim não utilizar todos os meios disponíveis para demonstrar que pretende realmente o fim dos programas nuclear e de mísseis balísticos de Pyongyang; outros analistas preferem salientar que a margem de pressão sobre Kim Jong-un é limitada. No plano regional, a existência da Coreia do Norte e, pelo menos, parte do seu curso de ação não deixa de ser um instrumento geoestratégico útil quer para Pequim quer para Moscovo, pela pressão que mantém sobre os EUA e países como o Japão e Coreia do Sul, que mantêm relações tensas com a China ou que, no caso japonês, tem um diferendo territorial com a Rússia.


As fortes declarações da embaixadora dos EUA na ONU sucederam pouco depois de, num comício no Missouri, o presidente Trump ter recorrido, mais uma vez, a linguagem insultuosa para designar Kim Jong-un, chamando-lhe agora "cachorrinho doentio".

O disparo do míssil norte-coreano sucedido na terça-feira à noite - em si um facto inédito e explicado por analistas militares como prova de Pyongyang temer que os dispositivos de defesa antimíssil dos EUA fossem ativados - foi o mais longo e o que maior altitude atingiu até hoje, tendo permanecido no ar durante 53 minutos. Atingiu a altitude de 4475 quilómetros e percorreu uma distância de 950 quilómetros. Perante estes valores, os especialistas consideram que o seu alcance máximo seria de 13 mil quilómetros, o que deixa o território dos EUA na condição de potencial alvo. Dúvidas persistem contudo sobre o valor do míssil, designado como Hwasong-15, como arma de ataque, em especial sobre as possibilidades de transporte de ogivas nucleares e a capacidade destas em suportarem o impacto da reentrada na atmosfera terrestre.

Fonte: DN

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