O deputado do PAICV João do Carmo pediu hoje ao Governo que fiscalize o envio, em “quantidade exagerada”, de lixívia de São Vicente para Santo Antão, após o anúncio da antecipação, para este mês, da produção do grogue.

João do Carmo, que falava no período antes da ordem do dia, disse que, neste momento, o mercado de São Vicente não tem lixívia, principalmente em recipientes de 5 litros, e que têm informações e fotografias de muitos camiões que embarcam todos os dias para Santo Antão.

“Gostaríamos que o Governo investigasse e, em paralelo, a informação de que a produção de grogue já foi antecipada de Janeiro de 2018 para Dezembro deste ano, não gostaríamos de afirmar nada, só pedimos ao Governo que investigue esta correlação do envio de lixívia com a antecipação da produção de grogue”, solicitou o deputado do maior partido da oposição.


De igual modo, a sua colega de bancada Vera Almeida considerou trata-se de uma questão “importante”, “de fundo”, frisou, que tem a ver com a fiscalização ou a não fiscalização da produção da aguardente em todas as suas fases.

Vera Almeida indicou ainda que a questão da falta de qualidade do grogue tem sido várias vezes denunciada, mas na sua óptica, “não tem havido uma fiscalização regular e adequada dos serviços competentes”, afirmando que também já tinha esta informação “de ruptura de stock de lixívia em São Vicente para o fabrico de aguardente”.

Já o deputado do MpD (no poder) Damião Medina pediu que não seja uma declaração somente para desvalorizar a medida do Governo de antecipar a faina da produção do grogue que, a seu ver, vai ter impacto maior na ilha de Santiago porque em Santo Antão a faixa inicia-se geralmente lá para Março.

Damião Medina, que entende que a fiscalização é e continuará a ser feita pela IGAE (Inspecção Geral da Actividade Económica), entende que a medida de antecipação da produção da aguardente não prossupõe que vai haver um défice de fiscalização.


“Todos estamos preocupados com a produção da aguardente na ilha, que exige fiscalização, consciência do produtor, porque antes de ser uma questão económica é uma questão de saúde pública. Daí que lançamos este apelo às instituições, o Estado, para averiguar de certa forma a veracidade destas declarações e tomar medidas para que o produto da ilha não seja desvalorizado desde a sua produção”, acrescentou.

Por seu turno, o ministro dos Assuntos Parlamentares e da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, assegurou que o Governo trabalha no sentido de reforçar a fiscalização e que, sendo um produto que pode ser uma marca de Cabo Verde, têm todo o interesse que tenha qualidade, seja produzido de forma adequada, com produtos adequados.

“Há claramente uma vontade política do Governo em reforçar a inspecção, as entidades que actuam nesta área no sentido de termos cada vez mais aguardente de qualidade”, precisou o governante.

Por Inforpress

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