Cabo Verde identificou cerca de 16 mil famílias, num total de quase 40 mil pessoas, em situações de vulnerabilidade, segundo os primeiros dados do cadastro social, elaborado em 16 dos 22 concelhos do país.



Os dados, relativos a nove ilhas cabo-verdianas, foram apresentados hoje, na cidade da Praia, numa sessão presidida pelo primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva.

De fora da recolha ficaram os municípios do Tarrafal, São Miguel, São Lourenço e São Domingos, todos na ilha de Santiago, a maior e mais populosa de Cabo Verde.

"Já foi feito o levantamento em 16 municípios, já cadastrámos cerca de 16 mil agregados familiares nessas localidades. A situação varia de ilha para ilha, mas o cadastro permitiu recolher informações ao nível da composição do agregado, do rendimento, da existência de pessoas com deficiência, do acesso a infraestruturas como água, eletricidade ou saneamento", disse à agência Lusa a diretora nacional da Inserção Social, Mónica Furtado.



A responsável explicou que a análise aos dados recolhidos "é ainda superficial" e que o processo continua, mas permite perceber realidades sociais diferentes de município para município e de ilha para ilha.

O cadastro arrancou no bairro de barracas da Boa Esperança, na ilha da Boavista, onde, segundo Mónica Furtado, as principais vulnerabilidades identificadas estão relacionadas com a habitação.

"Na Boavista, ao contrário do que se estava a pensar, que era uma população extremamente vulnerável, os dados mostram que a vulnerabilidade é a nível habitacional e de acesso a serviços como água, saneamento ou eletricidade. Ao nível do rendimento e do emprego, a situação é muito boa em relação às outras localidades", exemplificou.

Por outro lado, prosseguiu, nas zonas de barracas de São Vicente "a situação da pobreza evidencia-se um pouco mais. Baixo rendimento, alta taxa de desemprego".

Na sequência do levantamento, será agora feita "uma análise aprofundada dos dados" e proposta a criação de um índice de vulnerabilidade que permitirá estruturar respostas mais direcionadas para cada população.



"Vai permitir identificar vulnerabilidades ao nível dos territórios, propor medidas que vão ao encontro dessas vulnerabilidades e principalmente ter registados os potenciais beneficiários dos programas sociais, não apenas do Ministério da Família, mas dos próprios municípios", assinalou.

Cabo Verde tem em curso programas como o Rendimento Social de Inserção, a isenção de propinas para pessoas com deficiência ou a tarifa social de água e eletricidade, destinadas às famílias mais pobres.

O primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva assinalou a importância de conseguir "cadastrar" famílias em situação de vulnerabilidade em todas as ilhas e todos os concelhos".

"Saber exatamente quem são essas pessoas, que necessidades têm, que hábitos de alimentação, de habitação, de rendimento, de emprego, da assistência à saúde e desenhar instrumentos e políticas dirigidas para ter impacto nessas pessoas", disse.

Cabo Verde regista 179.909 pobres (35% da população) e 54.395 muito pobres (10,6% da população), segundo estatísticas oficiais de 2015.

A elaboração do cadastro social contou com o apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Por Lusa

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