A demora de quase quatro meses nas transferências do valor das bolsas por parte da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social e Escolar está a criar dificuldades no funcionamento do lar de estudantes no Porto Novo, em Santo Antão.

A directora do lar de estudantes, Fernanda Fernandes, confirmou à Inforpress que, ainda neste ano lectivo, a Fundação Cabo-verdiana de Acção Social e Escolar (Ficase) não transferiu o montante das bolsas, na ordem dos 150 contos mensais, situação que está a condicionar o normal funcionamento do internato, actualmente com 95 alunos.

A Inforpress soube que, praticamente, todos os anos, a Ficase demora em transferir as verbas para o internato do Porto Novo, atraso que, este ano lectivo, acentuou-se, conforme admite Fernanda Fernandes, que acredita que essa situação pode estar relacionada com as mudanças que se verificou na direcção dessa fundação.

Isso cria alguns percalços na gestão do lar de estudantes, já com 16 anos de vida, uma vez que o mesmo não consegue, atempadamente, regularizar os compromissos com os fornecedores.



Contudo, Fernando Fernandes disse ter recebido a garantia da Ficase de que, ainda este mês, parte das transferências será feita, o que vai possibilitar à direcção do internato resolver os compromissos com as casas comerciais, que fornecem géneros alimentos a este lar de estudantes.

O lar de estudantes recebeu, no presente ano lectivo, 95 alunos, mas praticamente todos os internos não conseguem pagar a totalidade da mensalidade (nove mil escudos), devido a dificuldades dos próprios pais e encarregados de educação.

Com a mensalidade dos estudantes, o lar consegue arrecadar, com maiores ou menores dificuldades, cerca de 300 contos todos os meses, valor destinado, basicamente, ao pagamento dos salários aos empregados.

O internato conta, sobretudo, com as transferências da Ficase (150 contos/mês), da câmara do Porto Novo (50 contos) e do Conselho Regional de Parceiros (CER) de Santo Antão (55 contos), mas, no caso deste último parceiro, as verbas são transferidas anualmente.

Desde o arranque do ano lectivo 2017/2018, o lar só tem contado com a contribuição da edilidade porto-novense e das propinas dos estudantes, facto que tem criado alguns sobressaltos a essa instituição, embora a sua directora garanta que, apesar de “dívidas correntes” com alguns fornecedores, a mesma está a funcionar “com normalidade”.

Fernanda Fernandes negou, por isso, informações de que o lar estudantes tem estado a enfrentar dificuldades devido à forma como a direcção tem estado a gerir este serviço, procedendo a “gastos desnecessários” que poderão colocar em causa a própria continuidade do internato.

Para esta responsável, trata-se de “politiquices” que visam denegrir a sua própria imagem e a do internato, mas garante que, apesar dos problemas financeiros, “o lar tem estado a funcionar normalmente”.



A direcção do internato é acusada de ter gasto, sem necessidade, recursos do internato na instalação de 16 câmaras de vigilância no edifício e de ter aumentado despesas de funcionamento da instituição, com atribuição de gratificações e na contratação de novos empregados.

A directora explica que a instalação, há quatro meses, de câmaras de segurança no internato era uma necessidade há muito sentida, por causa da falta de supervisores (o lar tem apenas seis), garantido que esse “investimento” trouxe maior tranquilidade aos estudantes.

Uma outra acusação que recai sobre a actual direcção do lar de estudantes prende-se com a redução do “fundo de segurança” deste lar, no valor de cinco mil contos.

Fernanda Fernandes informou que quando assumiu a direcção do internato, o fundo estava reduzido a quatro mil contos, mas que está, neste momento, a ser reposto pela actual direcção.

O lar de estudantes do Porto Novo, financiado pela cooperação luxemburguesa, no quadro de um programa de infra-estruturação do sector da educação neste concelho, funciona, desde 2001, com internos oriundos de toda a ilha de Santo Antão, que frequentam a escola técnica João Varela.

Por: Inforpress

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