O Partido Popular (PP) sugeriu hoje que o Governo faça uma doação de 100 mil escudos aos criadores de gado que não estão a conseguir avalistas para ter acesso à linha de crédito emergência.

Em conversa com a Inforpress no final da reunião quinzenal, o vice-presidente do partido, Felisberto Semedo, disse que a iniciativa de criar a linha de crédito para ajudar os agricultores e criadores a minimizar os impactos do mau ano agrícola “é boa”, mas salientou que muitos não estão a ter acesso ao dinheiro devido às dificuldades na apresentação de garantia.

Por isso, sugere ao executivo que, tendo em conta a ajuda conseguida junto da comunidade internacional (10 milhões de euros), que aproveite dos 100 mil contos antes previstos no orçamento do Estado, para dar, de forma gratuita, a cada um desses pequenos criadores informais uma verba de 100 mil escudos para os ajudar na aquisição de ração e milho para salvar os seus animais.


“Nós entendemos que o Governo devia repensar a sua política, porque em relação à linha de crédito há receio das pessoas em serem avalistas para um criador de caprinos ou bovinos, por exemplo, porque sabem que o rendimento que este tem hoje com o leite ou mesmo a carne, não lhe permite fazer a poupança para pagamento posterior do crédito”, sustentou.

“Daí que aconselhamos ao Governo que, em vez de fazer os empréstimos de 300 contos a esses criadores, faça a doação de 100 mil escudos e deixe a linha de crédito para os criadores e agricultores com maiores investimentos, os criadores formais”, afirmou Felisberto Semedo.

O vice-presidente do PP pediu ainda o Governo que agilize com as acções ao nível do plano de salvamento do gado, já que, conforme adiantou, há zonas onde os criadores não estão com alimentos para o gado, existindo locais, inclusive, em que os animais estão a ser alimentados com o arroz.

“Temos o caso da ilha da Boa Vista onde já nem existe milho no mercado para os criadores comprarem e isso é muito grave”, disse manifestando a sua preocupação com esta situação.

Sobre a informação do Governo de que os criadores que não conseguirem acesso ao crédito, terão empregos para obter rendimento, o representante do PP salienta não se tratar de boa solução, já que serão trabalhos temporários que não ajudarão aos criadores a salvar o seu gado, podendo posteriormente ficar sem o seu meio de sobrevivência.

Durante o encontro, a direcção do partido analisou também assuntos relacionados com o naufrágio do navio Vicente. Felisberto Semedo disse que após três anos desse acidente os familiares das vítimas ainda não tiveram os merecidos apoios, isto, apesar das promessas das autoridades.

A situação em que se encontra também as famílias de Chã das Caldeiras, vítimas da erupção vulcânica, foi outro assunto tratado na reunião quinzenal do PP que questiona, uma vez mais, onde foi parar todo o dinheiro disponibilizado pela comunidade internacional e países amigos para ajudar as vitimas.

Por: Inforpress

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