O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca “lamenta” que o 20 de Janeiro deste ano, Dia dos Heróis Nacionais, não seja assinalado com a tradicional deposição de coroa de flores no monumento a Amílcar Cabral.

Em declarações à imprensa à margem de mais um acto da Semana da República que culminou com um debate sobre os heróis nacionais, cuja data se comemora neste sábado, 20, Jorge Carlos Fonseca disse “estranhar” a não realização da cerimónia de deposição de flores no sítio onde se ergueu o monumento a Amílcar Cabral, considerado o pai das independências da Guiné e de Cabo Verde.

“Como se sabe, é uma cerimónia realizada pelo Protocolo Geral do Estado a que sou convidado a presidir e recebi uma comunicação de que não seria possível (a cerimónia de deposição de flores) porque estão em curso no local obras da Câmara Municipal da Praia”, precisou o Chefe de Estado, acrescentando que ainda pôde perguntar a uma das suas colaboradoras se não havia outra alternativa no sentido de se realizar o acto.

Jorge Carlos Fonseca asseverou aos jornalistas que, a convite da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP), vai estar presente num acto a ter lugar neste sábado na Biblioteca Nacional, mas que não sabe se haverá algo semelhante que substitua a cerimonia de deposição de flores.



Instado se não se podia programar as obras, de modo a não interferirem com a cerimónia que se realiza todos os anos no referido local, Fonseca respondeu: “Eu presumo sempre que as pessoas têm boas intenções. Não posso presumir que nenhuma entidade pública ou privada faça as coisas com má intenção. Posso admitir que pode haver falhas e que se pudesse encontrar alternativas”.

Confrontado com a opinião de alguns jovens presentes de que não tem sido dada a devida atenção ao Dia dos Heróis e, também, data do assassinato de Cabral, o mais alto magistrado da Nação reconheceu que se pode “dar mais atenção”.

“Em Cabo Verde, se se perguntar às pessoas em relação a outros eventos, como o 13 de Janeiro, acham que não se dá muita atenção. Outras acharão que se dá pouca atenção ao 5 de Julho (dia da independência do arquipélago) e há ainda aqueles que acham que quase nos esquecemos dos claridosos”, exemplificou o Presidente da República, acrescentando que é um “bom sinal de que estamos sempre insatisfeitos com aquilo que fazemos”.

Para o Chefe de Estado, o 20 de Janeiro é o dia em que se recorda de um conjunto de pessoas que, representando as “aspirações profundas do povo de Cabo Verde, conseguiram com muito sacrifício pessoal e muita tenacidade e determinação, superar a situação a que o país estava submetido, que era uma colónia portuguesa”.

“É a sétima vez que comemoramos o 20 de Janeiro, dando-lhe a designação de Semana da República. Procuramos, pedagogicamente, fazer as pessoas ver que temos uma historia. A historia tem momentos mais altos e menos altos”, considerou ainda o Presidente.

Por sua vez, o presidente da ACOLP, Carlos Reis, acredita que a ausência da cerimonia oficial do acto de deposição de coroa de flores se deve a uma “falta de programação e de pensar as coisas com a antecedência necessária”.

Perguntado se concorda com a justificação apresentada pelo director geral do Protocolo do Estado, Carlos Reis, disse que a “pergunta é boa”, mas prefere não respondê-la.

Segundo ele, na cerimónia deste sábado vão ser homenageados alguns veteranos dos combatentes da liberdade da Pátria.

Por: Inforpress


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