Os familiares dos brasileiros detidos desde Agosto na Cadeia Central da Ribeirinha, em São Vicente, no âmbito da “Operação Zorro”, declararam hoje, no Mindelo, que os arguidos caíram numa armadilha e que desconheciam a existência da droga.

A investigação refere-se à operação desencadeada a 23 de Agosto de 2017, no decorrer da qual a Polícia Judiciária (PJ) apreendeu 1157 quilos de cocaína, na sequência de uma busca efectuada a um veleiro de bandeira britânica, atracado na Marina do Mindelo.

A embarcação, de nome Rich Harvest, era proveniente do Natal (Brasil) e transportava a droga acondicionada em 1063 pacotes escondidos no casco do navio, o que levou a detenção dos tripulantes brasileiros Daniel Dantas, Daniel Guerra e Rodrigo Dantas.

Em conferência de imprensa, realizada na manhã de hoje no escritório do advogado de defesa dos detidos, no Mindelo, os pais dos arguidos Daniel Guerra, a irmã de Daniel Dantas e a mãe de Rodrigo Dantas, acompanhados do cônsul do Brasil em São Vicente, e de “pessoas amigas”, desabafaram um pouco do percurso de vida dos arguidos e das motivações que, supostamente, os teriam levado a realizar a viagem.



Segundo contou Barbara Dantas, irmã de Daniel Dantas, que diz acreditar na justiça cabo-verdiano, os três brasileiros, reclusos na cadeia de Ribeirinha, são “pessoas inocentes” que tinham um sonho de atravessar o Atlântico e que estavam a fazer carreira de velejador junto da marinha brasileira.

“O que precisavam era apenas ganhar as milhas náuticas para conseguir o diploma profissional”, avançou.

Segundo contou ainda a irmã do arguido Daniel Dantas, o “verdadeiro culpado” nesta operação é o dono do iate, o inglês, conhecido por Fox, que saiu da Europa com a sua tripulação própria com destino ao Brasil a fim de transportar a mercadoria ilícita.

“Em algum momento, ele teria percebido que estava a ser monitorizado e retirou-se do navio junto com a sua tripulação da última viagem e colocou a tripulação brasileira e mais o comandante francês contratado no Brasil nesta missão”, adiantou.

Segundo explicou ainda Barbara Dantes, os três velejadores brasileiros foram contratados através de um site que presta serviço no âmbito de navegação, quando o dono de um barco procura tripulação qualificada para transportar uma embarcação.



“Em nenhum momento eles ganharam dinheiro para fazer essa travessia, a combinação única era que garantissem a alimentação durante a viagem e as passagens áreas de volta para o Brasil, depois do destino final que era os Açores, em Portugal”, contou Barbara Dantes.

Além de serem contratado através de uma empresa com nome reconhecido no mercado, a Polícia Federal brasileira realizou uma busca no navio ainda antes de desembarcar da origem e não foi encontrado a droga escondida, o que, segundo Barbara Dantas, deu “maior segurança” aos três cidadãos brasileiros de seguir viagem no veleiro.

O que era para ser um sonho acabou por se transformar em um pesadelo, quando a embarcação teve de atracar na Marinha do Mindelo, por causa de uma avaria no motor, paragem essa que resultou na referida investigação, durante a qual a PJ encontrou a droga escondida no casco do barco.

O comandante francês contratado e o brasileiro Daniel Guerra foram detidos dentro do Iate e os dois irmãos brasileiros Daniel e Rodrigo Dantes posteriormente numa pensão no Mindelo.

O pai de Daniel Guerra, Télio Guerra, acredita que o filho é inocente e que desconhecia a existência da droga escondida na embarcação porque o grande sonho dele, segundo disse, era conhecer o mundo.

Juntamente com a esposa, ambos aposentados, chegaram em São Vicente, no dia 14 de Dezembro e afirmou que só vai embora de Cabo Verde quando puder levar o seu único filho de volta, que diz acreditar “foi vítima de uma armadilha.

O advogado de defesa, João do Rosário, fundamentou que estão em condições de “deitar abaixo toda a acusação de tráfico de estupefaciente e de associação criminosa”, que recai sobre os três arguidos.

“Quando digo isto é porque temos provas e contra-provas que permitem, sem margem para dúvida, confirmar tudo o que foi dito pelos familiares, porque ainda se encontra activo o site denominado Iate delivery e temos os contratos escritos das pessoas contratadas pela companhia”, exemplificou.

Sem avançar muitos detalhes do processo, afirmou que a história contada pelos familiares é verdadeira e que a única acusação dos arguidos é que estavam num barco que transportava droga, mas que desconheciam a sua existência.

Por: Inforpress

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