O ministro da Administração Interna anunciou hoje que em 2017 se registou uma “efectiva redução da criminalidade” no país na ordem dos 10,7% e que quem tem as crianças raptadas “sabe que está a ser caçado nesta altura”.

Paulo Rocha fez estas declarações à margem do acto de abertura do XII Conselho de Comandos da Polícia Nacional, que decorre hoje e sexta-feira na Cidade da Praia, mas não adiantou pormenores sobre a existência de pistas que possam levar as autoridades policiais até aos criminosos da prática de rapto de pessoas.

Perguntado se há alguma linha privilegiada de investigação em relação aos casos do desaparecimento de pessoas, aquele responsável governamental limitou-se a dizer: “Eu não sei. É a autoridade policial que poderá dizer-lhe (referindo-se ao jornalista) e duvido que lhe diga”.

Sobre a possibilidade de Cabo Verde pedir apoio a países amigos, no quadro das investigações relacionadas com o desaparecimento de seres humanos nos últimos tempos, deixou transparecer que o arquipélago “tem que estar aberto à todas as soluções que possam ajudar a resolver e perceber este novo fenómeno”.



Num curto espaço de tempo, contabilizaram-se cinco pessoas desaparecidas, cujo paradeiro ainda continua desconhecido, situação que tem inquietado a sociedade civil.

Para o cardeal Dom Arlindo Furtado, a situação é “muito preocupante, grave e chocante” e, segundo ele, há “qualquer coisa que está a acontecer que não dá para entender”.

Por sua vez, a líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), Janira Hopffer Almada, também se manifestou preocupada com a situação e pediu à comunicação social para não deixar que estes casos caiam no esquecimento. Também em declarações à imprensa o Presidente da República exprimiu a sua inquietude a esse respeito, tendo afirmado que a situação “exige resposta por parte das autoridades” e que, caso for necessário, devem solicitar apoio a nível exterior.

Apesar de ter lançado esse repto, Jorge Carlos Fonseca apelou, no entanto, à “serenidade” para que não haja situações de pânico.

“(…) Todos devem estar unidos nesta hora e temos de encontrar respostas com a rapidez possível, eficiência e esperar que as autoridades competentes, possam desenvolver o seu trabalho de investigação…”, enfatizou Jorge Carlos Fonseca.

Instado a pronunciar-se sobre o apelo do Chefe de Estado, segundo o qual o país deve ter novos métodos investigativos face a novos fenómenos criminais, disse que o Governo tem a “consciência dos desafios” neste sector.

“A investigação, não sendo própria a essência da Polícia Nacional, esta assume este compromisso”, indicou o ministro da Administração Interna, acrescentando que a última revisão da orgânica atribuiu uma “melhor organização da investigação no seio da PN”, visando a assunpção de novas competências em matéria de investigação.

Para Paulo Rocha, “os desafios são muitos” e o Governo acredita nas forças de segurança, na “capacidade investigativa do país e no trabalho particularmente da Polícias Judiciária e da Polícia Nacional”.

Em conversa com a imprensa, deixou transparecer que no ano passado se registou uma “substancial redução” no que diz respeito aos homicídios e que isto se verifica, particularmente nos crimes contra as pessoas.

“Temos dito que a abordagem não é uma abordagem apenas focada no crime, mas também na violência que antecede e que leva à prática de determinadas acções criminosas”, disse Paulo Rocha, que reconhece que a Polícia Nacional tem tido um “elevado desempenho”, assim como um “nível de produtividade muito bem reconhecido”.

Por: Inforpress

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