O Governo da Nigéria reconheceu hoje que 110 estudantes permanecem desaparecidas, quase uma semana depois do ataque do grupo ‘jihadista’ Boko Haram a uma escola feminina na vila de Dapchi, no estado de Yobe.

O anúncio foi feito pelo ministro da Informação, Lai Mohammed, após reuniões com familiares das vítimas e outras entidades.

O paradeiro das meninas é desconhecido, mas testemunhas relataram que os militantes do Boko Haram perguntavam especificamente onde estava localizada a escola. Algumas testemunhas oculares acrescentaram que as jovens foram levadas com armas apontadas à cabeça, segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP).

No momento do ataque, estavam presentes 889 estudantes e os responsáveis saquearam a escola e levaram comida antes de fugirem.



Muitos nigerianos temem que as estudantes tenham sido levadas para servirem de noivas para os extremistas de Boko Haram, que em 2014 raptaram 276 meninas de um internato em Chibok e forçaram-nas a casar com os seus raptores.

O ataque, ocorrido no Estado de Yobe, é semelhante ao conduzido em abril de 2014 a outra instituição feminina, fazendo recordar o sequestro de mais de 200 raparigas, também pelo Boko Haram, na cidade de Chibok, no vizinho Estado de Borno.

Cerca de 100 das raparigas sequestradas foram libertadas, mas 112 continuam ainda em cativeiro.

A população pressiona o Presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, para que tome uma posição sobre este novo episódio, para assegurar que não aconteça uma situação semelhante à ocorrida em 2014.

A Nigéria viu um aumento de ataques suicidas nos últimos meses, apesar da diminuição da presença do grupo em alguns dos territórios, resultado das operações realizadas pelas forças de segurança do país.

O grupo ‘jihadista’ passou assim a adaptar os ataques, perpetrando ações em pontos fracos como locais de oração, escolas e campos de refugiados.

O Boko Haram, cujo nome significa “a educação ocidental é pecado”, luta pela imposição de um Estado islâmico na Nigéria, um país predominantemente muçulmano no norte e maioritariamente cristão no sul.

Desde o espoletar da atividade da organização na região, em 2009, mais de 20.000 pessoas morreram.

As Nações Unidas apontam que cerca de 1,6 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar as suas casas, com 4,7 milhões a precisar urgentemente de assistência alimentar.

Por Lusa

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