O abuso sexual de crianças esteve em discussão, hoje, na cidade do Porto Novo, numa Mesa Redonda organizada pela Rede PASM, cuja cerimónia de abertura foi presidida pela ministra da Educação e da Integração Social.

Alunos das cinco escolas secundárias da ilha de Santo Antão, pais e encarregados de Educação, professores e técnicos de várias áreas sociais participaram dessa Mesa Redonda, sob o lema “filhos de uns, pais de outros”.

A ministra Maritza Rosabal destacou o trabalho desenvolvido pela Rede de Prevenção do Abuso Sexual de Menores (PASM), em Santo Antão, que vem fazendo um trabalho considerado “muito bom” na prevenção do abuso sexual de crianças que, segundo indicou, “mais do que um problema, é uma deformação e a manifestação de uma doença social”.

“Saudamos, vivamente, a existência de um ‘movimento social’, como a Rede PASM, porque os problemas sociais só podem ser encarados assim” disse Maritza Rosabal adiantando que “este problema começa a ser objecto de uma profunda censura social” o que significa que “estamos no caminho de modificar as atitudes e, prova disso, são as denúncias”.



“As denúncias mostram que começa a haver uma profunda repulsa social a esta situação, isto é, começa a haver uma mudança social que se consubstancia na denúncia deste crime” disse a governante, voltando a destacar a existência desta Rede como “um novo activo neste processo”.

A ministra fez notar que “a maior parte dos crimes de abuso sexual de menores é feita contra crianças de sexo feminino, acima dos 11 anos” e, adiantou, “isso tem a ver com uma profundíssima representação social do que é a sexualidade, ou seja, a ideia de que o sexo feminino tem de servir, sexualmente, os homens”.

A titular da pasta da Educação e da Integração Social defende uma leitura positiva de dados estatísticos e exemplifica com os que apontam que em apenas cinco por cento das famílias existe comunicação sobre assuntos de sexualidade, mas prefere ver o lado positivo e comparar o momento actual com o tempo em que não havia qualquer comunicação.

“Para quem parte do zero, cinco por cento significa que já há um caminho feito” disse Maritza Rosabal, admitindo que há, ainda, muito por fazer nesse aspecto.

A ministra da Educação reconhece que “as nossas escolas também são palco de assédio sexual a menores” e explicou que “a maior parte dos processos disciplinares são por duas causas fundamentais, nomeadamente, por comportamentos derivados do consumo do álcool e outra, a mais grave, tem a ver com o assédio sexual”.

“A escola, como instituição, tem o dever de ser parte muito activa nesta luta”, concluiu a ministra.

Inforpress

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