O Desastre da Assistência acontecera há 69 anos, ou seja, a 20 de Fevereiro de 1949, matando centenas de pessoas que aguardavam pela distribuição de refeições quentes e de algum donativo que lhes permitisse se alimentarem.

Este acontecimento é tido como um dos mais trágicos que marcaram a história de Cabo Verde e a década de 40, considerada a mais negra do arquipélago, que foi fortemente fustigada por secas que ceifaram milhares de vidas humanas.

À Cidade da Praia chegavam centenas de pessoas para se juntarem a outras tantas na mesma situação de pobreza e de carência alimentar, sobretudo crianças e mulheres. Foram estes a maior parte das mais de 232 vítimas mortais resultantes da queda do paredão do edifício dos Serviços Cabo-verdianos de Assistência, onde diariamente se reuniam mais de duas mil pessoas para receberem uma refeição quente e alguns donativos em alimentos.


Os mortos foram sepultados em valas comuns no Cemitério da Várzea, dado à exiguidade de tempo e carência em material necessário (tecido e madeira e outros) para a confecção de caixões.

“O facto ocorreu cerca do meio-dia. Debaixo do telheiro dos Serviços Cabo-verdianos de Assistência reuniam-se milhares de pobres que diariamente ali se deslocavam para receber alimento. Essa distribuição, que fora feita durante muito tempo no recinto do quartel do Exército, passou, entretanto, a ser concretizada no barracão pertença da Repartição de Obras Públicas do Ministério das Colónias, próximo da Delegação Marítima”, dizem os vários relatos históricos.

Diariamente, cerca de 2500 pessoas recebiam refeições. Nesse dia infortúnio, muita gente já tinha abandonado o local, o que evitou que a tragédia fosse maior.

“Tudo aconteceu de repente. A um grande ruído sucedeu-se o desabamento e consequente soterramento das vítimas”, diz o pesquisador Joaquim Saial no blogue “Praia de Bote”, dando conta que “a muralha contígua, de sete metros de altura por 30 de comprimento, ruíra sobre o telheiro”.

Os vários relatos e documentos existentes sobre este tema dizem o mesmo sobre o que se seguiu. O espanto e a angústia da população da capital que logo acorreu a prestar socorro às vítimas, trabalhando lado a lado com os soldados e funcionários dos serviços públicos na remoção dos escombros e transporte dos mortos e feridos ao Hospital.

Para perpectuar este triste acontecimento, em meados da década de 2000 construiu-se junto à rampa do cais de São Januário, na zona da Gambôa que liga à Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, a poucos metros do local onde se deu a tragédia, um monumento de homenagem às vítimas.

O “Monumento às Vitimas da Fome e do Desastre da Assistência de 1949” é da autoria do arquitecto Carlos Hamelberg e foi inaugurado a 08 de Março de 2006, simbolizando as três barras de ferro uma família e as argolas as vítimas.

Por`Inforpress

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