O Governo cabo-verdiano anunciou hoje que vai entregar na próxima segunda-feira na UNESCO a candidatura da morna, o género musical mais emblemático do país, a Património Imaterial da Humanidade, esperando conhecer a decisão em dezembro de 2019.


Cabo Verde vai entregar a candidatura da morna a Património Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) depois de o Ministério da Cultura ter estado a trabalhar no dossiê durante vários anos, através do Instituto do Património Cultural (IPC).

Na quarta-feira, o presidente do IPC, Hamilton Jair Fernandes, vai entregar simbolicamente o dossiê de candidatura ao ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, que na segunda-feira o vai submeter à UNESCO.

Cabo Verde contou com o apoio de Portugal neste processo, tendo Paulo Lima, especialista na elaboração de processos de candidatura a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, estado no país para uma missão de assessoria técnica de apoio à instrução da candidatura.



Paulo Lima, também investigador da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, esteve envolvido nas candidaturas portuguesas ganhadoras do fado, cante alentejano e arte do chocalho.

Na altura, em declarações à agência Lusa, o especialista disse que a morna "reúne todas as hipóteses" para ser inscrita enquanto género musical na lista do património imaterial.

"Tem vários pontos fortes: é identitária, tem uma forte expressão na cultura cabo-verdiana, serve como elemento de ligação entre os cabo-verdianos que estão em Cabo Verde e os que estão na diáspora. É uma prática musical que se transforma e reconstrói. Absorve e está em contínua mutação, mas há sempre uma identificação entre a cultura cabo-verdiana e este género musical", considerou.

Paulo Lima entendeu, por outro lado, que o principal desafio é a harmonização de um estilo 'world music', mas também de tocatinas.

Sublinhando a importância de, durante a elaboração da candidatura, ser colocado o foco no "ponto de vista técnico científico", Paulo Lima assinalou também a necessidade de uma "estratégia concertada da promoção" em particular durante o período entre a entrega da candidatura e a decisão.

No dia 27 de fevereiro, o parlamento cabo-verdiano aprovou, por unanimidade, a data de 03 de dezembro como Dia Nacional da Morna, dia em que nasceu Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B. Léza (1905 - 1958), considerado um dos maiores compositores do país do género musical.

O Dia Nacional da Morna visa homenagear todos os outros compositores, músicos e intérpretes, exaltar e reconhecer a sua importância e chamar atenção da sociedade cabo-verdiana para a necessidade de valorização do género musical.

Depois de entregar a candidatura, o país fica à espera de conhecer a decisão em dezembro de 2019, segundo previsão do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

Lusa/Fim

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