O PAICV, maior partido da oposição em Cabo Verde defendeu hoje que o país vive uma "crise de credibilidade" causada por uma sucessão de "escândalos" e criticou o que designa de ausência do primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva.

"Cabo Verde está a passar por um período sensível e complexo. A credibilidade do país, um grande ativo nos últimos anos, está em crise. Mensalmente, vêm ocorrendo escândalos, envolvendo as mais altas figuras da Governação e tudo isso, perante uma completa ausência do primeiro-ministro que os cabo-verdianos escolheram", disse o vice-presidente do PAICV, Nuías Silva.

Nuías Silva falava, em conferência de imprensa, na sede do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), na cidade da Praia, para dar conta dos resultados da reunião da Comissão Política Nacional, realizada quarta-feira à noite.

"O primeiro responsável pelos desmandos na governação é o primeiro-ministro, que já demonstrou que apoia e defende a prática de favorecimento das empresas próximas do seu partido e não está minimamente preocupado com os indícios de corrupção que começam a tomar conta do seu Governo", sublinhou.

O responsável do PAICV aludia ao envolvimento do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, num caso de alegado favorecimento a um grupo empresarial de que foi administrador e no qual ainda tem participação acionista.



Olavo Correia tem dado a cara pelas principais medidas políticas do governo do MpD, sendo notória a quase ausência de Ulisses Correia e Silva dos dossiers mais importantes da governação.

"Cabo Verde está, neste momento, sem primeiro-ministro. O primeiro-ministro eleito decidiu deixar o cargo", considerou Nuías Silva, acrescentando que Ulisses Correia e Silva "insiste em esconder-se" e se limita "a aparecer para cortar fitas, abrir palestras e fazer inaugurações".

O vice-presidente do PAICV assinalou também que, quase dois anos depois da tomada de posse do Governo do Movimento para a Democracia (MpD), "se constata um sentimento generalizado de desilusão e de falta de esperança", bem como a "degradação da situação socioeconómica e das relações laborais", com aumento de preços dos bens essenciais e despedimentos.

O PAICV manifestou-se preocupado com a forma como o Governo está a tratar a reestruturação da companhia aérea pública (TACV) e acusou o executivo de pretender também desmantelar os transportes marítimos.

"Os TACV foram desmantelados e estão em plena liquidação. O Governo 'meteu' 2 mil milhões de escudos (cerca de 20 milhões de euros) na Transportadora Aérea Nacional - que já nem está a voar - e os trabalhadores não conhecem o seu futuro", disse.

A companhia aérea está em processo de reestruturação para privatização, tendo saído dos voos domésticos, mudado a sua base para ilha do Sal e encerrado as delegações nas ilhas de São Vicente e Santo Antão.

O processo de reestruturação da empresa está a ser conduzido pela Icelandair, que deverá ser o parceiro para a privatização de 51% do capital da empresa.

O PAICV exortou o executivo a "atuar com maior rapidez" na execução de "medidas concretas" que respondam às necessidades das famílias, assegurando que irá cumprir o seu papel fiscalizador da ação do Governo.

Na conferência de imprensa, Nuías da Silva anunciou que em abril, a presidente do partido, Janira Hopffer Almada, dará início ao projeto "Ouvir Cabo Verde", fazendo um périplo pelas ilhas para "auscultar os cabo-verdianos e conhecer, com maior profundidade, as suas expectativas e anseios".

Por Lusa

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