Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição em Moçambique, disse esta quarta-feira que as conversações com o Presidente do país podem estar comprometidas por alegadas irregularidades na eleição intercalar de Nampula.

Dhlakama lançou suspeitas sobre a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, dizendo que terá transportado eleitores de outras províncias para a votação municipal que decorreu esta quarta-feira na terceira maior cidade do país, na região norte.

O líder da Renamo falou numa entrevista telefónica ao canal privado de televisão moçambicano STV na qual lançou também suspeitas sobre o recrutamento de elementos das autoridades para um alegado plano de fraude.

As declarações contrastam com a situação de normalidade descrita por quem esteve durante todo o dia nas assembleias de voto.



As plataformas de observação eleitoral Sala da Paz e Votar Moçambique, com 160 observadores no terreno, consideraram que o dia de eleições decorreu de forma ordeira, apesar de alguns problemas relacionados com cadernos eleitorais.

Leonel Namuquita, dirigente da Frelimo em Nampula, desmentiu as acusações em conferência de imprensa e considerou as declarações de Dhlakama como intimidatórias para os eleitores, classificando-as como uma violação à lei em dia de votação.

Os observadores eleitorais que estão no terreno, em Nampula, fazem parte de organizações da sociedade civil que estão também a acompanhar a contagem de votos, iniciada às 18h00 (20h00 em Lisboa) e que decorre sem sobressaltos, de acordo com o canal da plataforma Sala da Paz na Internet.

Cerca de 300.000 eleitores estavam inscritos para votar esta quarta-feira na segunda volta da eleição para presidente do Conselho Municipal de Nampula, cargo ao qual se candidataram Amisse Cololo pela Frelimo e Paulo Vahanle pela Renamo.

Afonso Dhlalama e o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, têm mantido negociações desde há um ano em diferentes dossiês com vista à assinatura de um acordo de paz para o país.

Lusa

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