O concelho do Porto Novo, em Santo Antão, está a registar uma boa colheita de batata comum que, porém, esta a ser vendida “ao desbarato” pelos agricultores, por “falta de mercado e de condições de conservação” do produto.

Os produtores confirmaram à Inforpress estarem a ser “obrigados” a vender, “por quase nada”, a batata comum, porque não têm possibilidades de colocar o produto em outros mercados, mas também por não existirem em Santo Antão condições de conservação.

Segundo os agricultores, a produção de batata comum no Porto Novo, onde existe o maior produtor deste tubérculo, a localidade de Martiene, deve ultrapassar, “de longe”, um milhar de toneladas, que estão a ser colocadas no mercado local a um preço de 55 escudos/quilo, dada as dificuldades dos produtores em fazer chegar o produto aos mercados turísticos.

“Além de embargo, que nos condiciona bastante, não temos condições de colocar os nossos produtos em outros mercados que não seja em Santo Antão e São Vicente, devido a problemas de transportes marítimos inter-ilhas”, lamentou o agricultor António Fonseca.



Segundo este produtor, nem podem conservar o seu produto porque “não têm condições”.

José Lima, outro produtor de batata comum, confirmou que o produto está, “de facto, a ser vendido a um preço muito baixo”, no mercado do Porto Novo ou enviado para São Vicente “por quase nada”, porque não há formas de exportá-lo para outros mercados, nomeadamente turísticos.

Em 2013, o embargo imposto há mais de 30 anos aos produtos agrícolas de Santo Antão, por causa da praga dos mil-pés, foi levantado parcialmente, permitindo aos agricultores colocarem os excedentes nas ilhas turísticas do Sal e Boa Vista, mas os produtores têm-se deparado com “dificuldades de transportes” marítimos inter-ilhas.

Por isso, os agricultores preferem vender, ao desbarato, o seu produto no mercado informal do Porto Novo ou em São Vicente, para os chamados “rabidantes” que, sabendo das dificuldades dos lavradores, oferecem “muito pouco” pelos produtos.

No caso da batata comum, oferecem entre 50 e 55 escudos por cada quilo, para o desalento dos produtores.



“Quem diz batata comum, diz também repolho, cenoura e outros produtos”, lastima o agricultor Jorge Delgado.

Os próprios serviços do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) em Santo Antão exortam os produtores para “lutarem” para levar o Executivo a resolver o problema de mercado para os produtos agrícolas de Santo Antão, que passa pelo levantamento do embargo e da resolução do problema dos transportes.

Apesar da escassez de chuva, que teve “reflexos bastante negativos” na disponibilidade de água para rega, os produtores agrícolas conseguiram ainda assim “uma boa produção” da batata comum, neste concelho.

Também este ano, segundo os agricultores, foram asseguradas, por parte do MAA, algumas condições, sobretudo a nível de qualidade de sementes, que permitiram “uma boa produção” da batata comum em quase todo o concelho.

Em Casa de Meio, os agricultores estão “satisfeitos” com a produção da batata comum, que, este ano, ficou entre as 40 e 50 toneladas, segundo a associação da classe.

Não obstante o baixo preço do produto no mercado, nesta altura, o representante da Associação dos Agricultores da Casa de Meio, José Lima, diz que os lavradores estão animados com a “boa colheita” registada.

Em quase todos os vales agrícolas no Porto Novo, os produtores dizem-se encorajados, mesmo sabendo que estão sendo obrigados a vender os seus produtos “por quase nada”.

A aposta, cada vez mais evidente, dos agricultores em horticultura, em detrimento da monocultura da cana sacarina, faz do concelho do Porto Novo um produtor “por excelência” de batata comum, batata doce, cenoura, inhame, tomate e repolho.

As dificuldades do mercado constituem ainda “um grande constrangimento”, segundo os produtores, que têm estado a defender a necessidade de o Governo proceder ao levantamento total do embargo imposto, em 1984, aos produtores agrícolas de Santo Antão.

O Governo já admitiu facilitar a saída, para todo o mercado nacional, dos excedentes provenientes das zonas ainda livres da praga dos mil-pés, que terá chegado a Santo Antão na década de 70, proveniente da Europa.

Martiene, Chã de Norte, Chã de Branquinho e Tarrafal de Monte Trigo são as localidades, no município do Porto Novo, ainda sem essa praga daninha.

Inforpress/Fim


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