A conserveira Frescomar confirmou hoje que “não houve qualquer despedimento” de trabalhadores na sua fábrica e acusou a Agência de Trabalho Temporário D & D de efectuar “fuga em frente” num “caso de polícia do qual é cúmplice”.

Em conferência de imprensa, no Mindelo, o assessor jurídico da Frescomar, Orlando Lima, explicou que desde Setembro do ano passado a conserveira mantinha um contrato de prestação de serviço com a D & D nos termos do qual a agência faria o recrutamento dos trabalhadores que seriam colocados na Frescomar, mas “sob a responsabilidade” da agência de recrutamento durante três meses.

Ou seja, concretizou, a Frescomar pagava todas as responsabilidades durante um período de três meses, fazia a transferência dos salários, IUR e previdência social para a D & D que, por seu lado, efectuava o pagamento a esses 215 trabalhadores.

Findo esses três meses, anotou, o que aconteceu agora em Fevereiro, esses trabalhadores passavam para a responsabilidade da Frescomar, pelo que “não há nenhum despedimento de trabalhadores” na Frescomar, “isto em nenhum momento aconteceu”, reforçou.



“O que houve e que está em curso e que deve ficar concluído hoje é a conversão dos contratos que passam da agência D & D para a Frescomar e todos os trabalhadores nessa condição vão ser trabalhadores da Frescomar”, precisou, com efeitos a partir 01 de Março.

“Não vão perder uma hora de trabalho sequer”, vincou a mesma fonte, que confirmou que a Frescomar já denunciou “unilateralmente e com justa causa”, por ter “todos os factos para o suportar”, o contrato com a D & D por “quebra de confiança irrecuperável”.

O que foi dito pela responsável da D & D foi uma tentativa de “confundir a opinião pública” num expediente de fuga em frente, pois, sintetizou, a agência tem “responsabilidades graves” nesta matéria.

Aos jornalistas, exibiu o relatório da auditoria segundo o qual a Frescomar tem “todos os seus pagamentos feitos” e até este momento “não deve absolutamente nada” à D & D e, inclusive, “o valor do INPS desses trabalhadores entrou na conta da D & D”.



“Agora se esse valor chegou ao destino, tudo indica que não e esta é uma questão que está a ser apurada e que vai ser apresentada no local próprio”, avançou, por se estar perante um caso de justiça que vai ser sujeito a um inquérito e levada “até às últimas consequências” pela Frescomar.

Por outro lado, Orlando Lima confirmou a situação que classificou de “desagradável” de um cidadão brasileiro que prestou serviço nos recursos humanos da Frescomar, que terá fugido para o Brasil, “num caso de polícia” e que envolve a própria agência D & D “como cúmplice”.

“A D & D é cúmplice neste processo e vamos prová-lo em local próprio e temos todas as provas”, concretizou, ao mesmo tempo que sustentou que a agência de recrutamento devia ter “mais cautela” em estar a avançar com uma questão que é “melindrosa”, com “muita coisa por esclarecer”, e em segredo de justiça.

Esta quinta-feira, também à imprensa, a gerente da agência D & D, Eurydice Carvalho, prometeu solicitar a intervenção da Direcção-Geral do Trabalho no que classificou de “conflito laboral” com a Frescomar, ameaçando, inclusive, levar a conserveira a tribunal por alegada suspensão de “dezenas de trabalhadores” e rescisão unilateral de contrato.

Por: Inforpress

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