Mais uma notícia baseada em premissas falsas. Não fosse jornal estrangeiro diria que se trata de encomenda, tal a forma como questões desse jaez são tratadas no campo político doméstico.

Que fique muito claro. Cabo Verde, mais do que nunca, precisa de investimento direto estrangeiro, para mobilizar recursos, know how, tecnologias de gestão e de desenvolvimento. A inserção competitiva do país na economia global é estratégica para a promoção do crescimento, do progresso e do bem-estar social para todos.

Adentro da estratégia de integração regional, as relações com Portugal, Espanha e França são imprescindíveis para a promoção do desenvolvimento sustentável do nosso país, desde logo porque a cooperação entre os arquipélagos da Macaronésia é importante para o crescimento e a competitividade da região e, consequentemente, de Cabo Verde.

Aliás, quase todos os investimentos das Canárias e Espanha em Cabo Verde foram aprovados pelos meus Governos. Incluindo a Binter.

Discordo, todavia, da entrega dos transportes aéreos inter-ilhas e regionais à Binter, em regime de monopólio, eliminando desse modo uma das importantes vantagens comparativas de Cabo Verde em relação às Canárias.

E mantenho a minha posição. Sempre defendi o reforço das relações entre os dois arquipélagos e fiz muito nesse sentido. Propus e foi criado, em Mindelo, em 2010, a Conferência dos Arquipélagos da Macaronésia (CAM), no quadro da Parceria Especial Cabo Verde/União Europeia.

A ideia da Parceria Especial é para fugir à lógica de ajuda pública de desenvolvimento, mas, sobretudo, numa perspectiva de ganhos mútuos, cooperar para o desenvolvimento sustentável. O reforço do Intereg, para o qual trabalhei com afinco, não pode traduzir-se, pois, em submissão a outros interesses que não os que se referem ao bem comum.

Por JMN


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