Cabo Verde registou 255 acidentes de trabalho no ano passado, que provocaram cinco mortos e duas amputações de membros, segundo dados revelados hoje durante uma conferência na ilha de São Vicente.

Os dados foram avançados pelo Inspetor-Geral do Trabalho cabo-verdiano, Anildo Fortes, no âmbito de uma conferência sobre a saúde e segurança no trabalho, adiantando que a maioria dos casos aconteceram nos setores da construção civil, indústria e hotelaria.

Em entrevista à Rádio Morabeza e publicada pelo jornal Expresso das Ilhas, o responsável cabo-verdiano apontou o dedo aos trabalhadores, pela pouca sensibilidade em usar os materiais de proteção individual, e a algumas empresas, que se desculpam com a situação financeira.



"A segurança é um custo, mas mais vale investir para evitar acidentes graves, com casos de mortes ou amputações de membros, como aconteceu no ano passado", alertou Anildo Fortes.

A conferência foi aberta pela secretária de Estado-adjunta para a Modernização Administrativa, Edna Oliveira, para quem a maior parte dos acidentes poderiam ser evitados, se se apostasse na prevenção.

A secretária de Estado pediu, por isso, união de Governo, organizações sociais, sindicatos, autarquias, em torno da problemática dos acidentes e doenças relacionados com o trabalho.

"Se torna imprescindível a criação de espaços para um debate aberto e franco sobre as questões de prevenção e segurança no trabalho, visando a criação de subsídios com vista à criação de medidas de política de promoção e prevenção em relação à saúde e segurança no trabalho, reduzindo assim a incidência e prevalência de doenças", apontou.

Uma das convidadas para a conferência foi a inspetora do trabalho de Portugal Cristina Rodrigues, que salientou que a questão da saúde e segurança no trabalho vai para além das preocupações operacionais do ambiente físico, considerando necessário ver também a questão psicossocial.

"Cada vez há mais pressão para as pessoas trabalharem mais, para desenvolveram mais trabalho no mesmo tempo de serviço, exige-se que as pessoas trabalhem cada vez mais com os mesmos ou menos salário, há cada vez menos possibilidade de as pessoas articularem a sua vida no trabalho com a sua vida familiar, há cada vez horários mais alargados, há cada vez tarefas com maiores exigências. Enfim, há uma série de situações de trabalho que hoje em dia estão claramente identificadas como potenciadoras de riscos psicossociais", apontou, citada pelas mesmas fontes.

A conferência sobre a saúde e segurança no trabalho foi uma das atividades da sétima semana nacional de prevenção e segurança no trabalho em Cabo Verde, sob o lema "prevenir é trabalhar em segurança e evitar acidentes", que aconteceu durante esta semana em São Vicente.

Lusa/fim

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