A segurança social de Cabo Verde (INPS) vai entrar no capital social do Afreximbank com uma participação de cerca de 6 milhões de euros, contando com o aval do Governo para aquele que será o primeiro investimento no estrangeiro.

O primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva, que hoje visitou a sede do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), equivalente à segurança social portuguesa, confirmou a validação do negócio pelo executivo.

"É uma boa opção. É uma instituição de referência financeira, bancária e de investimentos a nível africano e dá todas as garantias de segurança e credibilidade para que o INPS possa fazer aplicações", disse Ulisses Correia e Silva aos jornalistas.

Por essa razão, acrescentou, o negócio conta "claramente" com o aval do Executivo.



A presidente do INPS, Orlanda Ferreira, adiantou que a decisão de investir no Afreximbank se insere na estratégia de rentabilização da carteira de ativos da instituição.

"O INPS está numa situação de acumulação das receitas, temos disponibilidades e precisamos obter retorno dessas disponibilidades. A nível do mercado nacional começamos a ter alguns problemas em obter taxas de retorno", disse, lembrando que o INPS já é acionista de dois bancos em Cabo Verde.

Adiantou que a proposta inicial, apresentada pela comissão executiva, previa um investimento de cerca de 3 milhões de euros, valor que foi duplicado pelo conselho diretivo da instituição, onde estão representados os trabalhadores e as entidades empregadoras.

A proposta deverá agora ser apresentada ao executivo para validação, uma vez que a participação no capital social do banco será feita em nome do Estado de Cabo Verde.

Com sede no Cairo, o Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank) foi criado em 1993 e Cabo Verde é um dos membros fundadores.

A participação cabo-verdiana é assegurada pelo Banco de Cabo Verde (BCV), com 0,13% do capital social do banco, que recentemente aprovou uma linha crédito de quase 500 milhões euros para financiamento a empresas e investidores cabo-verdianos.

O acordo surgiu na sequência da realização na ilha do Sal, de um seminário daquela instituição bancária.

Questionado sobre se o aumento da participação cabo-verdiana no capital social do banco é uma contrapartida à linha de crédito, o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva assegurou "não ter nada a ver".

O Afreximbank tinha um ativo de 11 mil milhões de dólares em 2016, sendo cotado como um investimento de "boa qualidade" pelas agências de notação financeira.

O banco reúne governos africanos, investidores institucionais e privados de África e instituições financeiras e investidores privados não africanos e tem como finalidade facilitar e promover a expansão do comércio entre países africanos e destes com o exterior.

O INPS apresentou hoje ao primeiro-ministro os dados relativos ao ano de 2017, que revelam um crescimento de 16% no número de segurados relativamente ao ano anterior.

A instituição conta com cerca de 96 mil segurados e dá cobertura social a 43% da população cabo-verdiana.

Lusa/Fim


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